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Ordinarices: Vazio de Sentido

Há gestos que não tocam, sentimentos que não se sentem e palavras vazias de significado.

São as vulgarizações dos gestos, dos sentimentos e das palavras que geram estas relações vagas. Quando algo se torna de tal modo ordinário que se mecaniza em nós, deixamos de pensar no que fazemos, no que sentimos e no que dizemos. Tudo é automático e revela o mesmo carácter de uma máquina.

Esta vulgarização é reflexo da própria evolução da sociedade, da proliferação da educação pré-formatada e das obrigatoriedades que nos impõe como sendo absolutas.

Quantas vezes ao dia pedimos “desculpa”? Pedir desculpa é um ato que pressupõe a assunção da responsabilidade e da culpa, que ganha força com o sentimento de arrependimento. Teremos, de facto, em todas as vezes que nos desculpamos, consciência da nossa culpa e sentimo-nos arrependidos? Ou fazemo-lo apenas porque nos ensinaram assim, porque sabemos que se torna uma maneira fácil de dirimir conflitos, porque é socialmente mais bem aceite? Pronunciamos esta palavra consciente do peso do seu significado acompanhada por gestos de profundo arrependimento ou tornou-se uma palavra cujo significado se reduz a “porque sim!”?

E nas inúmeras vezes que pedimos algo “por favor”? Acreditamos realmente que o outro nos está a fazer um favor pelo qual nos sentimos gratos? Ou apenas porque é de bom-tom e sinal de boa educação acrescentar esta expressão aos nossos pedidos?

 

 

 

 

Ordinarices: Trocam-nos as palavras

Olhando em meu redor, lendo artigos e entrevistas, ouvindo os noticiários e as pessoas chego à conclusão que a moda é trocarem as palavras para nos dar a volta.

Já não se diz problema, diz-se desafio. O país enfrenta novo desafio. Problema é feio e não fica bem.

Quando não se tem dinheiro para fazer algo, diz-se que neste momento isso não é uma prioridade. E um programa não falha, depara-se com necessidades de atualização.

Também não convém chamar alguém de novo rico, é preferível chamar de empresário – mesmo que não tenham nenhuma empresa nem sejam empreendedores. Fulaninha de tal, empresária. Outra palavra, agora diz-se empreendedor em vez de desenrascado. Este jovem empreendedor criou um negócio de estafetas com apenas uma bicicleta.

Já não há donos nem patrões, são todos CEOs. Não há senhoras de limpeza, são técnicas de limpeza ou TL – porque as abreviaturas dão outra categoria às coisas. Não há cangalheiros, pois ao que parece morreram de vergonha com o nome e agora são agentes funerários. E já não se faz a recolha de lixo, mas sim o tratamento de resíduos. Não há funcionárias da escola, mas auxiliares de educação. A prostituição não é uma profissão legal, mas as prostitutas são profissionais do sexo. 

 

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